sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Olhares entre corredores"

Às vezes estamos em casa e não queremos nem levantar. Qualquer passo pode ser um desafio que não queremos ter. A preguiça não nos deixa fazer nada. É, eu estava assim aquele dia, quando mamãe me ligou falando que iríamos ao mercado. Ah, compras não!
Me troquei com uma grande má vontade. Só de pensar em andar corredor por corredor, empurrar o carrinho, guardar as compras na sacola, colocar no porta-malas, tirar do porta-malas, levar até dentro de casa e depois guardar tudo, me deixava com muita preguiça.
Chegando lá peguei um carrinho, me apoiei nele e comecei a empurrar. Mamãe lia e relia tudo o que tinha que comprar e eu só afirmava com a cabeça.
Foi quando viramos para o outro corredor e eu o vi. Nem preciso descrever, vocês sabem como é, encontramos uma paixão a primeira vista, é inexplicável. Eu sabia que ele tinha reparado em mim. Passamos um do lado do outro, só nos olhávamos, sem distrações. Depois continuamos andando e viramos para trás, como se fosse um ultimo olhar, sorrimos um para o outro.
Ah, eu estava apaixonada! A preguiça tinha me abandonado e eu queria correr em todos os corredores só para achar ele, mas me segurei. Fiquei pensando nele, em como seria o seu nome. Passamos, eu e mamãe, em vários corredores, mas nada de encontrá-lo.
Nos dividimos para ir mais depressa, eu fiquei com o carrinho e pegaria os refrigerantes. Peguei todos que mamãe queria, mas o meu preferido eu não havia encontrado, porque estava na ultima prateleira, quase impossível de ser alcançado. Fui tentar pegá-lo, mas não conseguia, tentei novamente, uma mão o pegou antes, finalmente alguém com um bom coração foi me ajudar. Com bom coração, com bom cabelo, co bons olhos. E que olhos! Já adivinharam? Era ele. Me entregou o refrigerante, sorriu e saiu andando. Fiquei alguns segundos ali parada, quase sem respirar. Coloquei o refrigerante no carrinho e, lentamente, sai andando sem acreditar.
Continuei suspirando por ele, passando pelos corredores. Eu o avistei, estava bem longe, mexendo no celular. Talvez estivesse vendo as ligações perdidas, talvez estivesse mandando uma mensagem, talvez ele tivesse uma namorada. Ah, que pena! Eu mesma me coloquei para baixo.
Mais alguns corredores andados e meu celular vibrou, devia ser a bateria fraca. Não, era um convite para receber uma musica por bluetooth, achei que alguém havia mandado errado, mais aceitei.
Era só um trecho, logo que recebi fui escutar, era assim:
“sei que é difícil mais antes de ir
tem uma coisa que eu preciso te dizer, te dizer...
um novo sentimento em mim despertou
eu fiquei sem saber e também não entendi
porque meu coração bateu mais forte quando te vi, quando te vi...”
Não me arrependo de ter ido contra a preguiça aquele dia. Já escutei a música inteira, hoje é a nossa música.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

7 Years Of Love ♫



"Nós estivemos juntos por 7 anos.
Ninguém imaginou
Que nós diríamos adeus tão facilmente.
De qualquer forma, nós ainda estamos separados.
As lembranças que nós construímos há muito tempo,
agora se foram..

Como éramos tão jovens..
Nos encontramos, e eu sequer lembro como.
É difícil para nós lidarmos com isso,
Com o mapa das nossas próprias mudanças.

Eles disseram que dizer adeus é doloroso.
Mas nós não conseguimos sentir essa dor.
Eu apenas pensava que era a forma de ficar calma.

Mas eu só choro e ignoro o tempo passar.
Eu me arrependo e sinto sua falta.
Eu olho para mim mesmo.

No começo amigos, e então amantes.
Nos dissemos que continuaríamos como amigos,
Mesmo se nos separássemos.

Durante aqueles três anos que eu passei sozinho,
Nós nos falamos algumas vezes.
Mesmo se eu encontrar outro alguém de novo,
Mesmo que eu amasse de novo,
De qualquer forma eu continuaria triste.
Eu ligaria para você e sem uma palavra, apenas derramaria lagrimas.

Você merece encontrar uma boa pessoa,
Eu pensei com meu coração, sem falar.
Eu te perguntei se você ainda me amava, sem qualquer pensamento,
Apenas esperando você dizer sim.

Eu sei que naquele momento nós ainda éramos muito jovens,
E tínhamos o mais puro amor.
Mas nós não nunca vamos ter esse amor novamente.
Que só fica como uma lembrança.

Eu sempre sinto um sentimento frio de você.
Mas agora eu sei,
Que não há nada que eu possa fazer.

“Eu estou me casando” foi o que você me disse.
E após ouvir isso, morri por alguns segundos.
Então eu chorei, eram suas ultimas palavras para mim.
Mas as únicas que eu queria ouvir era você ainda me amava."
Cho Kyuhyun

Aprendi que..


Amores eternos podem acabar em uma noite, que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.Que o amor sozinho não tem força que imaginei. Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno.Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.Que os poucos amigos que te apóiam na queda, são muitos mais fortes do que os muitos que te empurram.Que o " nunca mais" nunca se cumpre.Que o "para sempre" sempre acaba, Que minha familia com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de mãe desde que o mundo é mundo.Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido tudo..

Curiosidade faz bem..


Queria saber se o que ele sente é o mesmo. Já sabem do que eu estou falando, né? Pois é, não sei pensar em outra coisa. Seria legal se estivesse escrito na testa dele ‘ eu gosto de você sim’, mas infelizmente as coisas não são tão claras assim. Vou contar o que aconteceu comigo.
   Certo dia eu estava na escola, ele era de uma turma diferente, mas sempre sorria pra mim. Às vezes eu ficava assistindo ele e os amigos jogarem futebol, quando ele fazia gol, olhava e sorria para mim. Isso me deixava completamente boba. Um dia enquanto passava pelo corredor da escola, eu estava pegando o livro que estava no armário e vi que ele acabou derrubando os livros que estava na mão. Abaixei para ajudá-lo a recolher tudo, era o mínimo que eu poderia ter feito, ele agradeceu e saiu apressado, acho que estava perdendo aula. Quando olhei, ao meu lado, tinha um pequeno caderno, peguei e levei para minha aula junto comigo, depois eu devolveria.  A tentação de ler era tanta, que acabei abrindo. Eu só queria ver a letra dele, ver se ele fazia as tarefas, saber dessas coisinhas. Quando abri, as duas primeiras folhas estavam em branco, na terceira folha estava escrito: Não credito que estou fazendo isso, se meus amigos souberem vão me chamar de gay, mas tudo bem, não posso ficar contando tudo para eles, eles só me zoam.” Virei mais algumas paginas, aquilo parecia o que vocês estão pensando mesmo, parecia não, era um diário. Ele foi o primeiro menino que descobri que tinha um diário, nunca imaginei que os fortes e galinhas tivessem que desabafar também. Na outra pagina estava escrito: Acordei hoje com uma dor de cabeça insuportável, minha mãe não me deixou faltar na escola. Nas primeiras três aulas dormi, zoei com os moleques no intervalo e nas três ultimas aulas dormi. Ontem bebi demais, eu faço isso todas as sextas-feiras. Depois eu e os moleques fomos à uma balada eu cheguei na menina mais gata e acabei pegando, umas amigas dela se jogavam em cima de mim, enfim, sai de lá depois de pegar 7 meninas. Meus amigos não pegaram isso nem todos eles juntos.”   Nossa, porque meninos são assim? Até em diários querem se gabar, incrível o pensamento deles. Bom, continuei lendo, vai que eu descobria alguma coisa meio obvia. Vai que em uma pagina ele deveria ter escrito ‘ aquela menina boba continua sorrindo para mim e indo ver meus jogos, que tonta’. Pelo menos eu ia saber o que ele pensa e não iria continua naquela situação de sorrisos e livros pelo corredor. E o pior, como eu ia devolver o diário? Virei mais algumas paginas, ele contava quantos gols fazia em cada jogo, quantas meninas pegava em cada balada. Até que virei tantas paginas que estava no mês em que estávamos, e , por incrível que pareça, ele não tinha nem bebido, nem ido em baladas e nem pegado meninas. Continuei olhando, e lá estava, o dia do jogo de futebol, ontem:  É, hoje fui jogar com os meninos, fiz 4 gols. Ganhamos de novo, novidade. Ela estava lá, sorrindo, queria dizer que os gols foram pra ela, mas me falta coragem. Porque será? Eu chegava em qualquer menina tão fácil, sem medo, esse sentimento me faz ficar assim, bobo. Não consigo mais parar de pensar nela. Agora o que me faz dormir nas aulas é ficar a noite inteira pensando como será que ela vai estar no outro dia. Será que amanhã vai estar com o cabelo solto? Com aquele perfume doce que eu gosto tanto. Será que irá sorrir para mim como em todos os outros dias ou será que vai faltar? Se ela faltar eu juro, juro que não vou ficar bem, só ela me faz bem ultimamente. Bom, chega de babozeiras, já basta eu ter um diário e estar apaixonado. Boa Noite e sorte para mim amanhã.”   É precisei sair da aula, ir ao banheiro e lavar o rosto, muito bem lavado. Aquele sorriso não saia do meu rosto. Claro que era eu, que eu me lembre eu era a única que foi assistir ao jogo ontem. E como devolver o diário?   Entrei na sala de aula, me sentei e comecei a pensar mais e mais nele. Logo bateu o sinal, guardei minhas coisas na bolsa e fui até o meu armário. Eu tinha certeza que estava vermelha. De repente ele passou olhando, ajoelhado no chão, embaixo dos armários. Parei em sua frente, abraçada com o seu diário e morrendo de vergonha. Quando ele me viu, levantou-se devagar e sorriu, dizendo:   - Você o encontrou, obrigado.  Só afirmei com a cabeça, meus rosto ainda queimava de vergonha, mas sorri.   - Já sabe, né?  Afirmei novamente com a cabeça, dessa vez abaixando o olhar para o chão. Ele levantou meu rosto com sua mão, sorriu e me deu um selinho.   - Espero que agora você realmente me entenda.                                                                                                                                                    

Era 7 de Outubro

O garoto sempre que chegava da escola deixava o computador ligado, com o Messenger aberto. Desligava a tela do computador, e fazia a lição. Sempre tinha pouca, então ficava esperando Ana, até 6 da tarde, que era quando a garota entrava, mais ou menos.
Os dois começaram a conversar aos 17 anos, e foi assim. No começo dos 18 anos, aconteceu a coisa mais esperada pras amigas de Ana (sim, porque as amigas sabiam de tudo, e esperavam há cerca de 9 meses algo acontecer): Bruno a pediu em namoro.
E foi assim, se conheceram por um computador, namoravam por um computador. O que os dois tinham era maravilhoso. Uma coisa que as amigas de Ana jamais haviam experimentado, ou ouvido falar. Nem mesmo na ‘vida real’. Eles confiavam um no outro mais que qualquer casal que todas as amigas de Ana já tinham visto, ou ouvido falar. Isso requer, realmente, muita confiança. E eles se amavam. Quando as amigas de Ana passavam o dia na casa da garota, elas viam a conversa. Elas conseguiam sentir o amor.Eles estavam completa e irrevogavelmente apaixonados. Não havia nada que mudaria aquilo. O tempo passou, os dois ficavam mais apaixonados a cada dia (o que ia totalmente contra as idéias de Marcela, amiga de Ana. A garota pensava que a cada dia que se passasse, a tendência era o amor se esvair. Eles provaram que estava errada). Todo dia de manhã, na hora da aula dos dois, Bruno ligava para a garota. A acordava, para começarem o dia com a voz um do outro. Um dia o garoto apareceu com a boa notícia: ele conseguiria ir para Bolton. Passaria um dia lá, pois viajaria.Eles se encontraram à noite, em frente à ex-escola de Ana. Ela conversou com o garoto. Ana não quis beijá-lo.- Vou ficar dependente de você. Sei que você é uma droga pra mim, é viciante. Então se eu te beijar hoje, não vou conseguir ficar mais um minuto longe de você. A gente vai se reencontrar. E ai, vamos ficar juntos pra sempre.
Ela disse e o abraçou. Com mais força do que já abraçou outra pessoa. E o garoto se contentou em encostá-la. Ele sabia que o que Ana estava falando era verdade. Eles IRIAM se encontrar. E IRIAM passar o resto da vida juntos. Ele tinha certeza que ela era o amor da vida dele. Bom, agora a ‘maldita inclusão digital’ se transformou na melhor maldita inclusão digital.
O tempo passou rápido quando eles estavam juntos. Se divertiram muito, e Bruno gostou da simpática cidade da sua namorada. Ele foi embora no
dia seguinte, cedo demais para conseguirem se despedir.
O tempo passou, e o amor dos dois só ia aumentando. Passaram-se 6 meses desde que Ana tinha conhecido seu namorado pessoalmente, e Marcela ainda não entendia por que eles não tinham se beijado.- Any, você já parou pra pensar que pode ter sido uma chance única?! Você foi idiota, você sabe disso, né? – A garota dizia, sempre culpando Ana.Mas ela sabia o que era melhor pra ela. Já tinha cansado de explicar para Marcela. Não explicaria mais uma vez. Haviam 9 meses que os dois namoravam, e um ano que se conheciam.Eles se amavam muito, mais que qualquer pessoa que as amigas e amigos do casal já tinha visto. Um dia, Bruno apareceu com a notícia: ele conseguiu uma bolsa em uma faculdade em Bolton, e se mudaria para a cidade tão desejada.Ana se chocou com isso. Por semanas se perguntou se sacrificaria o tanto que o garoto iria sacrificar por ele. Mas ela não era a maior fã de pensamento. Isso a fez mal.- Any, deixa de ser besta. Você o ama, até eu posso perceber isso! E você sabe, eu não sou a pessoa mais esperta do mundo. – Marcela disse, encorajando a amiga.- Eu sei, Marcela, mas... Ele tá desistindo da vida toda dele em LONDRES pra vir pra BOLTON! Por mim! – Ana disse – E pela bolsa que ele ganhou na faculdade, mas é mais por mim, ele me disse.- Ana, presta atenção. – Ana olhou pra amiga. – Você não sabe quantas meninas invejam você. Não sabem mesmo. Eu, por exemplo, te invejo demais. Daria qualquer coisa pra ter um namorado como o seu.
Vocês confiam tanto um no outro, e se amam tanto. Eu tenho até nojo de ficar no quarto com você quando você ta conversando com ele. É um amor que se espalha no ar, que nossa senhora! Eu consigo sentir os coraçõezinhos explodindo pelo quarto. Ai fica tudo rosa, e você fica com uma cara de sonho realizado pro computador! Any, pára de subestimar o que você tem. Deixa de ser idiota.
- Você é um amor, sabia? Marcela, não sei. Não dá. Eu não desistiria de tanto por ele, e eu acho injusto ele desistir de tanto por mim.Marcela bufou. Porque a amiga tinha que ser tão burra?Meses se passaram, o tempo passava rápido. Ana não terminaria o namoro por messenger, frio demais. Ela esperaria o namorado chegar. A garota tentava adiar o máximo possível, por mais que quisesse ver o garoto de novo. Ele tinha um cabelo lindo, e olhos mais ainda. Ana conseguiria ser invejada por todas as garotas da cidade se fosse vista com ele. Mas ela não queria inveja. Queria seguir o seu coração.Quanto mais Ana queria adiar a situação, mais as horas corriam, e com elas os dias, as semanas, as quinzenas, os meses. O ano.Chegou o dia; Ana esperou o seu futuro-ex-namorado onde se encontraram meses atrás.Ela negou o beijo mais uma vez. O namorado ficou sem entender, mas aceitou.- Olha, eu tenho que conversar com você.- Diga. – Bruno sorriu.- Quando você me disse ‘Vou me mudar pra Bolton’, eu fiquei feliz. Mais feliz que já fiquei há muito tempo. Mas depois eu comecei a pensar se faria o que você ta fazendo por mim. Você desistiu de toda sua vida em Londres, Bruno.- Eu sei. Pelo melhor motivo na face da Terra.- Não, não é. Eu sinto que eu não to sendo justa com você. E sem ser justa com você, eu não sou justa comigo. Eu não sei se eu faria o que você fez. Eu acho que não. Eu sou egoísta demais, eu não sei. Não quero mais ser injusta com ninguém, não quero dormir pensando isso. Há meses eu penso nisso, e fico com peso na consciência. E, de verdade, eu não sei se seu amor é o suficiente pra mim. – A garota disse e virou as costas.
Foi andando para a sua casa. E ao contrario de momentos tristes clichês (n/a: eu odeio clichês), não estava chovendo. O céu estava azul, o sol brilhava, como raramente acontecia em Bolton. Mas o que estava dentro de Bruno (e de Ana) não era assim tão brilhante.
Para Ana chegar em casa, tinha de passar pela frente da casa de Marcela – era esse o motivo de um sempre estar na casa da outra; elas moravam lado a lado. A garota passou correndo, chorando, enquanto Marcela estava na janela. Marcela saiu correndo de casa – ignorando completamente o estado critico em que se encontrava: blusa dos ursinhos carinhosos, cabelo preso em um rabo-de-cavalo mal ajeitado, short curto de florzinhas e pantufas do tigrão – indo logo para a casa da amiga. Ela bateu a campainha, e a mãe da amiga atendeu. Disse que podia subir as escadas, Ana estava em seu quarto.Marcela subiu correndo, tropeçou, quase caiu 3 vezes – ‘Malditas escadas enormes’, pensava – mas chegou ao quarto em segurança (lê-se sem sangue escorrendo pela cara).- Any! O que foi, amor? – A garota encontrou a amiga deitada, chorando em sua cama.- O Bruno! – Ana não conseguia falar direito. Por essa mini-frase Marcela tinha entendido. Não tinha mais Ana e Bruno pra sempre e sempre e sempre e sempre. Agora era Ana. A garota aprendeu a viver com a dor. Passaram-se 5 anos, Bruno estava formado em direito, era um advogado de sucesso, ainda morando em Bolton – nunca largaria a cidade que abrigava seu, ainda, maior amor. Ana era uma fotógrafa de sucesso, ganhava a vida fotografando famosos de todo mundo – mas não saíra de Bolton também, amava a cidade com todas e cada fibra de seu ser.Bruno era melhor amigo de Ana, Ana era melhor amiga de Bruno. Ana tinha um noivo, um executivo de sucesso, que vivia de Londres pra Bolton, de Bolton pra Londres. Já Bruno sabia: por mais que tentasse achar alguém igual à Ana, não conseguiria. Só ela seria o amor da sua vida, que ele amava excepcionalmente. Nunca iria mudar.
Ana iria passar algum tempo fora da cidade, iria para a capital, fotografar uma banda inglesa. Iria dirigindo à Londres – depois de tanto custo para tirar a carteira de motorista, agora queria mostrar ao mundo que tinha um carro e sabia guia-lo.
Um carro. Dia chuvoso. Pista dupla. Um caminhão. Visão confundida. Bebida em excesso. No que isso poderia resultar? Não em uma coisa muito boa, com certeza. O caminhão bateu de frente com o carro de Ana. Ela não estava muito longe de Bolton, portanto ela foi levada para um hospital na cidade. O seu noivo, por sorte, estava em Bolton. Foi avisado, depois os pais, Marcela. E por ultimo, Bruno.Ele se apressou em chegar ao hospital que Ana estava internada. Ele chegou antes mesmo de Felipe, noivo da garota. Bruno andou por corredores com luzes fluorescentes fracas, brancas, o que aumentava a aflição dele.Como estaria Ana? A SUA Ana? Ele nunca imaginou nada de mal acontecendo à SUA Ana. Ela sempre seria dele, amiga ou namorada. Seria dele.Achou o quarto em questão, 842. Abriu a porta com cautela, e viu a imagem mais horrível que jamais poderia ter imaginado: Ana, sua Ana, deitada em uma cama de hospital, com ferimentos por todo o rosto e braços – as únicas partes de seu corpo que estavam aparentes. Ele chorou. Não queria ver a pessoa que ele mais amava em todo o universo daquele estado. ‘Frase clichê’, pensou, ‘mas porque não eu?’. As lágrimas caiam com força. Ele saiu do quarto com a visão embaçada pelas lágrimas; não sabia o que podia fazer.Ele foi para o lugar do hospital em que se era permitido fumar, e fez uma coisa que não fazia desde que tinha conhecido Ana: acendeu um cigarro. Começou a fumar, e ficou sozinho lá, encarando a parede. Imaginando se teria sido diferente se ele tivesse continuado em Londres. Ele lembrava, foi quem apoiou o curso de fotografia.
- Ah, cara... – Ana chegou se lamentando.
- Que foi, Any? – Bruno sorriu.- Eu tenho que escolher o que eu vou fazer da vida, mas... É difícil demais!- Eu sei bem como é... Porque não tenta fotografia? – Bruno apontou para a máquina digital, que agora estava nas mãos da garota. – Eu sei que você adora tirar fotos.- Bruno, sabia que você é um GÊNIO? – Ana sorriu e abraçou o melhor amigo. SEU melhor amigo.Se ele não tivesse sugerido o curso, Ana não estaria no hospital à essa hora. Os pensamentos profundos do garoto foram cortados quando a porta se abriu, fazendo o garoto estremecer.- Ah, que susto, doutor. – Bruno se virou.- Desculpe. Você é Bruno, certo?- Certo.- Bom, você tem bastante contato com Ana, certo? – Bruno balançou a cabeça positivamente. – Nesse caso, eu sinto muito. Para sobreviver, a Ana precisaria de um coração novo.A lista de espera por um coração é grande, e não sei se ela conseguirá sobreviver até chegar sua vez de receber um novo coração.Como poderia viver em um mundo sem Ana?! Saiu do lugar. Não podia esperar as coisas acontecerem, e ele ser egoísta e ficar em seu mundo, fumando até Ana ir pra outro lugar. Ele pegou um papel, uma caneta e escreveu um endereço, e um horário, uma hora depois daquilo. Entregou para o noivo de Ana, que agora estava na sala de espera.- Já foi vê-la? – Perguntou Bruno. O noivo negou com a cabeça.Ele saiu andando, saiu do hospital. Foi para seu escritório, pegou 3 papéis grandes e digitou 3 cartas. Uma para os pais. Uma para Ana. E uma sobre os desejos que tinha.Ele tomou um remédio depois disso. E dormiu, lenta e serenamente, dormiu. Não acordaria mais. Quando o noivo de Ana chegou, encontrou Bruno deitado no chão, sem pulso. Estava morto. Em cima da mesa, 3 cartas. Um recado para ele: "Eu não gosto de você. Nunca vou gostar. Mas mesmo assim, você tem que fazer algo que não poderei fazer. Leve meu corpo para o hospital, com essa carta em cima dele. A carta que está em cima das outras.
pós isso, entregue a segunda carta para Ana quando ela acordar. E quando a noticia da minha morte chegar, entregue a terceira para os meus pais."
Assim acabava a carta. Felipe não acreditava no que lia. Não acreditou, e nem precisava. Correu para o hospital em seu carro. Ele entregou a carta e o corpo do homem, que agora estava ainda mais branco. Aconteceu na hora; o coração dele foi tirado e levado para Ana. Quando ela acordou, não muito depois, viu os pais dela, seu noivo e os pais do namorado de 6 anos atrás. Eles sorriam e choravam; ela não entendeu. Foi quando viu a carta com a letra dele, escrito o nome dela. Ela pegou a carta e leu, então. "Meu amor, bom dia. É hora de acordar. Eu não pude te ligar hoje, você estava ocupada. Por isso deixei essa carta. Sabe, eu não vou estar ai por um bom tempo, as pessoas sabem quando a sua hora chega. E eu aceitei a minha com a mesma felicidade que eu tinha quando te vi na frente da sua escola. A minha hora chegou quando seu fim estava próximo.Eu te prometi que te protegeria de tudo e qualquer coisa que acontecesse, e mesmo sem chamar, eu estive lá. Desta vez não me chamou, quis resolver sozinha, eu não podia deixar. Eu resolvi dar um fim então. Eu estava ficando cansado, o trabalho pesava demais. Mas porque agora? Eu não sei. Mas não teria sentido eu viver em um mundo que você não existe. Então eu decidi ir antes e ajeitar as coisas. Pra daqui a alguns anos nós conversarmos aqui na minha nova casa. Agora eu tenho que ir, meu amor. Esse coração no teu peito, esse coração que bate no teu peito. É o mesmo coração que está inundado do amor que você disse não ser o suficiente. É o mesmo coração que lhe dava amor todo dia. Por favor, cuide bem dele. Agora eu preciso ir, preciso descansar um pouco. Eu vou estar sempre contigo.
Eu te amo ! 
PS: Não sei se vou conseguir te acordar amanhã. Você me perdoa por isso?"Então ela chorou. Chorou e abraçou os pais, os pais dele. Chorou como nunca, e tremia por tantas emoções passarem por seu corpo. Ana encarou o noivo. Terminou o noivado naquele dia. Não adiantava esconder algo que estava na cara: ela amava Bruno, e seria sempre o SEU Bruno. ELE era o homem de sua vida, não Felipe. O homem que sempre esteve lá, amando-a ao máximo. Em qualquer momento.Ela chorou muito, e seguiu a vida. Todos os dias ela lembrava de Bruno. Viver em um mundo sem ele não fazia sentido. Mas não desperdiçaria todo o amor e que estava dentro dela. Ela podia sentir seu coração batendo. Ela lembrava a cada momento, que mesmo separados eles estavam juntos. Mas apenas uma coisa fazia seu coração se apertar, se contorcer de dor. Que fazia uma lágrima se escorrer sempre que pensava nisso.Ela sentia falta daqueles beijos. Dos beijos que foram negados. Mas ela foi feliz. Morreu com seus oitenta e tantos anos. Mas era sempre feliz. Afinal, O coração do homem de sua vida batia dentro dela.